terça-feira, julho 27, 2004

Recursos florestais: “Quem usa cuida”




Recursos florestais: “Quem usa cuida”

Como conservar a floresta nativa? Não é uma pergunta fácil de ser respondida. Os remanescentes florestais nativos não estão em terra de ninguém, e por isso devem ser envolvidos os habitantes locais e proprietários de áreas na definição das práticas de manejo aplicadas. É por isso que ao invés de simplesmente mantermos os recursos protegidos e preservados do acesso humano, seria prudente apostar em estratégias que permitam a manutenção das comunidades locais e garantam a integridade dos ecossistemas.
Sobram evidências históricas de que um recurso passa por uma desvalorização automática quando sua utilização é impossibilitada. Ou seja, remanescentes florestais que não podem ser utilizados podem também perder seu valor econômico e, por conseqüência, não serem conservados. A proibição incentiva a substituição por outro uso da terra mais rentável ou mais facilmente acessível. Para cortar uma espécie nativa a burocracia é tanta que é mais fácil a utilização do pinus.
Por outro lado, temos a frente um processo que deverá empoderar a sociedade, que de forma participativa possibilite a construção de propostas que consideram aspectos econômicos, sociais e culturais. Seja mais solidário e justo. Mas por outro lado, ter a precaução como princípio, quando faltam informações suficientes para a adoção da estratégia de exploração. Portanto, será preciso unir esforços em torno de ações que efetivem uma modificação do quadro atual.
Seguindo nesta carreira, poderíamos adotar mecanismos que garantam o acesso social direto. Atendendo demandas sócio-econômicas e culturais através da viabilização da utilização dos recursos, seu processamento e comercialização. Promover ampla formação e capacitação da sociedade nas questões ambientais prementes. Garantir a participação social na gestão ambiental e na orientação das políticas públicas, ampliando o debate do código florestal, ou mesmo a (re)orientação das políticas públicas. Aumentar a articulação inter-institucional para viabilizar a pesquisa com a valorização do saber tradicional. E por fim dar amparo ao cumprimento dos códigos legais.
O dito popular “Quem usa cuida” passará a prova. As pessoas tratam com mais cuidado e atenção daquilo que fazem uso, daquilo que se faz importante em suas vidas. É uma via alternativa que ultrapassa o ‘mito da natureza intocada’. Não resolvem mais as decisões em gabinetes de governos e as medidas policialescas. Não dá mais para dizer que é culpa de ecologista roxo, ficar parado, e pronto.

2 comentários:

Itamar Vieira disse...

Oi Guilherme,

parabéns pela iniciativa e coragem de expor suas idéias e opiniões a cerca das atividades rurais. Te visitarei de vez em quando.

gilson disse...

Na maioria das regiões do centro-sul e mata atlântica (que envolveria o litoral do nordeste tb) o percentual de remanescentes é pouco significativo. Neste quadro temos que sua importância como "reserva" superaria qualquer dividendo que pudesse advir de sua exploração. A estratégia mais efetiva do ponto de vista da conservação seria uma melhor utilização do solo agrícola, pois a produtividade média do país.....
é de chorar